Apenas mais um conto!

Olá amigos, volto aqui hoje para compartilhar com vocês um CONTO que fiz para participar de um concurso que aconteceu a algum tempo no blog da Elaine Gaspareto! Como ele não ficou entre os classificados, resolvi dividí-lo com vocês. Me digam se gostaram!



...Segunda-feira voltarei com as postagens normais do blog, estou com saudades de todos vocês!...



Beijinhos e uma ótima semana para todos nós!





APENAS MAIS UM CONTO!





Era apenas mais um dia como outro qualquer para o pequeno Gabriel...




Como sempre, ele havia sido acordado antes do nascer do sol pela sua mãe, não queria levantar, por ele, continuaria ali deitado na cama (não muito confortável), por muito tempo ainda. Mas não tinha escolha, ou ele levantaria naquele exato momento, ou sua mãe chegaria e o levantaria a força. Trocava de roupa, não comia nada no café da manhã, não tomava um bom banho e a roupa que colocava no corpo já estava precisando de uma boa lavagem há muito tempo.



Ele tinha que ir, todo santo dia, à roça com sua mãe cortar cana, não tinha escolha, sua vida era assim, desse mesmo jeito todo santo dia. Lá encontrava várias outras pessoas que já estavam na lida há muito tempo e por lá ninguém se importava com ele, ninguém se importava com seus nove anos de idade, e nem com sua infância perdida. Ele apenas tinha que fazer o seu trabalho e muito bem feito, pois se não o fizesse sua mãe seria chamada a atenção e em casa ele iria sentir o peso da sua mão por não ter feito um bom trabalho.



Passavam boa parte da manhã por lá. O único alimento colocado para dentro da boca era apenas um pequeno pedaço de pão com meio copo de suco que lhe ofereciam. Voltavam para casa e Gabriel tinha que trocar-se às pressas para poder ir a escola, não tinha tempo de tomar um banho descente e apenas passava um pano molhado pelo corpo para tirar as manchas pretas. E não comia mais nada, sua mãe sempre falava para ele deixar para comer na escola, pois lá tinha comida de graça!



Lá na escola, Gabriel se sentia feliz, sentia-se criança e tinha a esperança de que lá podia ser algo melhor, apesar da indiferença dos amigos. Suas roupas sujas e seu mau cheiro, por não ter tempo de tomar banho incomodava os colegas de classe, e por isso ele era ignorado pelos colegas da escola.



A professora, por sua vez, também não fazia muito por Gabriel e não ligava quando os colegas de classe falavam para ele tomar banho devido ao seu mau cheiro. Ela, por muitas vezes, até aceitava e incentivava os alunos a agirem assim. Gabriel foi se tornando cada vez mais triste e distante dos colegas de classe.



Certa vez, a psicóloga da escola ao saber do que andava acontecendo, procurou Gabriel para poderem ter uma conversa, ela perguntou como era o convívio dele com a mãe, se ele gostava da casa, se ela era amorosa com ele. Gabriel não falou nada, ficava calado, então a psicóloga perguntou se ele trabalhava e ele prontamente respondeu: - Não senhora! Ele tinha medo, pois sua mãe sempre lhe falava que se alguém da escola perguntasse se ele trabalhava era para responder que não, pois senão a palmada em casa seria grande. Ele tinha medo, muito medo da sua mãe!



Mas a psicóloga ficou com uma pulginha atrás da orelha e decidiu investigar bem para descobrir qual era o problema com Gabriel. Passou alguns dias só observando-o de longe, vendo-o repetir o prato da merenda umas três e até quatro vezes! Na recreação ele não participava das brincadeiras e ficava sempre a observar os amigos se divertirem. A professora chegou a comentar com a psicóloga que as mãos dele eram cheias de calos, muitos calos. - Alguma coisa muito séria acontece com esse menino e eu irei descobrir o que é! - falou a psicóloga.



Ao sair da escola, a psicóloga observou Gabriel sozinho a esperar pelo ônibus que o levaria para casa, então ela chegou perto dele e perguntou se ele queria uma carona até em casa. Ele respondeu que não, que sua casa era muito longe e que o ônibus logo chegaria, mas ela insistiu e ele acabou aceitando. No carro eles conversaram muito sobre várias coisas, ao chegarem a casa dele, ela observou a precariedade do lugar onde ele vivia, ficou impressionada como a casa era desarrumada e suja. - Como uma criança pode viver em um ambiente assim? Ela pensou. Logo a mãe de Gabriel apareceu e lhe perguntou quem era aquela mulher e ele logo disse que era a psicóloga da escola que tinha dado uma carona para ele e a mãe foi logo falando que podia mandar ela embora que não queria gente estranha na sua casa.



Naquela noite, Sônia, a psicóloga, não conseguiu dormir. Ela tinha que fazer alguma coisa e o mais rápido possível por Gabriel.



No dia seguinte logo cedo ela foi a casa dele, bateu, bateu, e ninguém atendeu, uma vizinha deles falou que já haviam saído e ela perguntou: - Para onde? Então a vizinha respondeu: - Ora, para a roça cortar cana, como fazem todo santo dia! Sônia não acreditou no que ouvia, imediatamente ligou para sua amiga do conselho tutelar, contou o que estava acontecendo e rapidamente eles estavam lá para darem um flagrante de trabalho infantil. Quando eles chegaram ao local, houve muita confusão e correria, Sônia chamou Gabriel e disse que a partir daquele dia, sua vida iria mudar, e para melhor!



A mãe de Gabriel foi presa por obrigar seu filho a trabalhar, mas Sônia pagou a fiança e ela foi solta. O que Sônia queria era poder ajudar Gabriel, e ele vendo sua mãe presa, não ficaria em paz, e o pior, poderia até piorar de comportamento. Ela sabia que a mãe de Gabriel não era uma pessoa tão má e que as dificuldades da vida a fazia tomar essas atitudes. Claro que nada justificava algo assim, mas ela não estava ali para apontar os culpados e sim para ajudar Gabriel! Por isso, chamou os dois e falou que tinha uma grande novidade: - Quero que a senhora D. Francisca (mãe de Gabriel), venha trabalhar para mim. Se a senhora aceitar, poderão morar comigo e Gabriel poderá estudar em uma escola melhor para poder ter um futuro digno. O que acham? A mãe de Gabriel não contia em si de felicidade, tudo que ela queria era isso, uma chance para mudar de vida, uma chance para ver seu filho bem e Gabriel pensava que vivia um sonho, um lindo sonho o qual não queria acordar jamais!



E assim, aquele não foi um dia como outro qualquer na vida de Gabriel, foi um dia repleto de alegria, esperança e amor. Tudo graças a Sônia, que decidiu ajudar e ajudou até o fim. Pena que isso não passa de um conto... Só mais um conto!





Minéia Pacheco!

9 comentários:

  1. Lindo conto,Minéia e foi bom republicá-lo aqui! um beijo,tudo de bom,chica

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  2. eu gostei mto do seu conto, Minéia. achei um dos melhores.

    feliz dia do escritor, com atraso rs (não consegui escrever aqui ontem).

    bjs e bom dia!

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  3. Bom dia Minéia,

    seu conto é lindo, pena que seja algo tão real nesse país tão desigual e pena que não temos tantas Sônias espalhadas por aí pra salvar essas crianças... para nós que somos da área é muito triste e revoltante lidar com essa realidade que sabemos existir pelo Brasil...

    Sabe, seu conto pode não ter sido classificado por lá, mas ele tem um papel muito mais importante por aqui e por aí, que é divulgá-lo sempre, que bom que você publicou!

    Beijo grande, adorei a foto nova...
    Obrigada pelos carinho.
    Beijinhos e inté...
    Su.

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  4. Mineia,um conto muito bonito,que nos emociona e o melhor,com final feliz!Bjs,

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  5. Minéia voltei pra te mostrar esse site abaixo, não conhecia e talvez você não conheça também, achei muito fofo, sua cara, e dá pra enviar histórias para eles... veja lá que graça.
    Beijinhos.
    Su.

    http://www.contandohistoria.com/destaques.htm

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  6. Mineia,
    seu conto ficou lindo!

    Tenho certeza que a Elaine teve um trabalhão para selecionar.

    Beijos, Elaine Cunha

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  7. Olá:-)
    Passando para
    te desejar um dia
    muito abençoado...

    Beijos fica com Deus!

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  8. Olá tudo bem? parabéns pelo o blogue achei super fofo .... aguardo sua visitinha la no meu cantinho , se seguir ficarei ainda mais felizzzz kkkk. e com certeza volto e sigo aqui também é só deixar seu link no comentário bjus www.mulherquesecuida.com

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  9. Oi Minéia,
    adorei o conto, a história do Gabriel é uma realidade para muitas crianças. Pena que a parte da Sônia é uma realidade para pouquíssimas crianças.

    Estava viajando de féria e fiquei com saudaes.

    beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/

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Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.(Antoine de Saint-Exupéry)

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